{"id":9960360168,"date":"2025-05-14T07:56:50","date_gmt":"2025-05-14T10:56:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.arkaonline.com.br\/blog\/murderbot-diarios-de-um-robo-assassino\/"},"modified":"2025-05-14T07:56:50","modified_gmt":"2025-05-14T10:56:50","slug":"murderbot-diarios-de-um-robo-assassino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.arkaonline.com.br\/blog\/murderbot-diarios-de-um-robo-assassino\/","title":{"rendered":"Murderbot \/ Di\u00e1rios de um Rob\u00f4-Assassino"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 6 minutos<\/small><\/p> <p> [ad_1]<br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p dir=\"ltr\"><span>Qualquer leitor de <\/span><em>The Murderbot Diaries<\/em><span>, s\u00e9rie liter\u00e1ria de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica assinada por <\/span><strong>Martha Wells<\/strong><span>, sabe que grande parte da gra\u00e7a da trama urdida pela escritora est\u00e1 no di\u00e1logo interno do protagonista &#8211; um andr\u00f3ide de seguran\u00e7a pesadamente armado, que hackeou o seu m\u00f3dulo de controle e reescreveu o c\u00f3digo que o obrigava a obedecer \u00e0s ordens dos humanos que contratam os seus servi\u00e7os atrav\u00e9s do conglomerado empresarial que o construiu. Ao inv\u00e9s de voltar suas armas para seus patr\u00f5es, no entanto, Murderbot escolhe continuar sua rotina de guarda-costas de cientistas, mineradores e outros contratantes sem muita mudan\u00e7a\u2026 ele s\u00f3 rouba alguns minutinhos aqui e ali para assistir \u00e0 sua s\u00e9rie favorita, <\/span><em>The Rise and Fall of Sanctuary Moon<\/em><span>.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span>O humor dos livros adv\u00e9m do cinismo do personagem, temperado por uma ansiedade social e um desd\u00e9m resignado pelo trabalho que \u00e9 inteiramente identific\u00e1vel em pleno s\u00e9culo XXI. Wells, por sua vez, demonstra repetidamente que, tal como Murderbot, est\u00e1 pouco interessada em especificar detalhes e se demorar em cantos perif\u00e9ricos de seu universo &#8211; o foco inflex\u00edvel no ponto de vista do protagonista, em primeira pessoa, cria um sci-fi relativamente modesto porque se limita ao que ele consegue ver, perceber e pensar. Ao menos dessa vez, a gra\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 em cenas de a\u00e7\u00e3o \u00e9picas, imp\u00e9rios travados em conflito, estratagemas pol\u00edticos extrapolados para a escala de c\u00e2maras de governo intergal\u00e1ticas. Murderbot \u00e9 s\u00f3 mais um de n\u00f3s, e o trabalho n\u00e3o o deixa em paz.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span>\u00c9 esse charme \u00fanico que <\/span><em><strong>Di\u00e1rios de um Rob\u00f4-Assassino<\/strong><\/em><span>, <\/span><span>adapta\u00e7\u00e3o dos livros de Wells para o <\/span><strong>Apple TV+<\/strong><span>, tenta capturar. E n\u00e3o \u00e9 uma miss\u00e3o f\u00e1cil, a abra\u00e7ada pelos irm\u00e3os <\/span><strong>Paul<\/strong><span> e <\/span><strong>Chris Weitz<\/strong><span>, que atuam como roteiristas de toda a primeira temporada da s\u00e9rie, al\u00e9m de dirigir alguns epis\u00f3dios. Conhecidos por assinar juntos hits como <\/span><em>American Pie <\/em><span>e <\/span><em>Um Grande Garoto<\/em><span>, os irm\u00e3os seguiram trajet\u00f3rias separadas nos \u00faltimos anos &#8211; Paul persistiu na rota das com\u00e9dias dram\u00e1ticas com <\/span><em>Paternidade<\/em><span> e <\/span><em>Aprendendo com a Vov\u00f3<\/em><span>, enquanto Chris enveredou pelo blockbuster de g\u00eanero com <\/span><em>A Saga Crep\u00fasculo: Lua Nova<\/em><span> e <\/span><em>A B\u00fassola de Ouro<\/em><span>. Curioso perceber que <\/span><span>Murderbot <\/span><span>se localiza no meio termo entre as duas coisas, uma hist\u00f3ria futurista de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na qual construir um mundo separado do nosso \u00e9 importante, e a sensibilidade <\/span><span>pulp <\/span><span>tem espa\u00e7o, mas tamb\u00e9m uma dram\u00e9dia \u00e1cida sobre vicissitudes humanas e a indiferen\u00e7a cruel do mundo corporativo.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span>Talvez por isso os Weitz acertem o tom da narrativa com tanta precis\u00e3o. Preservando ao p\u00e9 da letra algumas das tiradas mais espertas do texto de Wells, eles garantem que o discurso que tornou a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria t\u00e3o interessante para a contemporaneidade se mantenha intacto, mas tamb\u00e9m se aproveitam do trampolim do audiovisual para se demorar um pouco mais em outras <\/span><span>gags<\/span><span>, e us\u00e1-las para tra\u00e7ar paralelos com a hist\u00f3ria mais pr\u00e1tica que se desenha durante a temporada. Se no papel, por exemplo, a exist\u00eancia de <\/span><em>Sanctuary Moon <\/em><span>\u00e9 utilizada como mero marcador das ansiedades do protagonista &#8211; sempre citada, pouco explorada -, aqui ela se expande para cenas completas de uma hist\u00f3ria que vai ganhando status de espelho das situa\u00e7\u00f5es enfrentadas por <em>Murderbot<\/em> na \u201cvida real\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span>\u00c9 um primeiro passo inteligente para um processo criativo que se define pela necessidade de arrastar muito do que acontece no \u00edntimo do personagem principal para a luz do dia &#8211; literalizar, mais at\u00e9 do que adaptar. Mas essa literaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m implica na cria\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es nas quais os conflitos dentro da cabe\u00e7a dos protagonistas possam vir \u00e0 tona, se traduzir em embates verbais e f\u00edsicos que podemos observar, ao inv\u00e9s de ler. Da\u00ed que a primeira temporada de <\/span><span>Murderbot<\/span><span>, embora pare\u00e7a modesta no cen\u00e1rio televisivo contempor\u00e2neo com seus 10 epis\u00f3dios de 20 e poucos minutos, na verdade se dedica muito a esticar a trama de <\/span><span>All Systems Red<\/span><span>, o primeiro volume da saga de Wells. Na TV, se multiplicam as viagens de reconhecimento, tentativas de sabotagem e planos mirabolantes enfrentados pelo grupo de cientistas que <em>Murderbot<\/em> precisa proteger.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span>E os Weitz talvez sejam contadores de hist\u00f3ria habilidosos, mas nem eles s\u00e3o capazes de dispersar completamente o sentimento, pelo menos em alguns epis\u00f3dios do miolo da temporada, de que uma transforma\u00e7\u00e3o para o pior aconteceu aqui. O que era um sci-fi modesto e concentrado nas preocupa\u00e7\u00f5es de personagem se tornou uma hist\u00f3ria esticada para um pouco al\u00e9m de suas capacidades, rasa pela natureza da superf\u00edcie mais ampla na qual foi aplicada. \u00c9 um ato de extens\u00e3o, sem d\u00favida, que tem seus revezes &#8211; mas tamb\u00e9m seu b\u00f4nus: em <\/span><span>Murderbot<\/span><span>, a s\u00e9rie, a afei\u00e7\u00e3o difusa que o texto de Wells cria pelos personagens que cercam o protagonista \u00e9 exacerbada, crescendo de uma boa vontade vaga gerada por suas a\u00e7\u00f5es minimamente humanas diante do predicamento de <em>Murderbot<\/em> para uma compreens\u00e3o mais completa de quem eles s\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span id=\"docs-internal-guid-d2eda632-7fff-3dc2-ba0e-55c37eef6d24\"><span>Especialmente para quem j\u00e1 experimentou essa hist\u00f3ria na p\u00e1gina, essa troca proposta pelos Weitz pode se provar recompensadora. \u00c9 delicioso ver um elenco t\u00e3o \u00edntegro (<\/span><strong>Noma Dumezweni<\/strong><span> e <\/span><strong>David Dastmalchian<\/strong><span> est\u00e3o especialmente brilhantes, \u00e9 claro) dando vida a um grupo que se relaciona com o <em>Murderbot<\/em> de <\/span><strong>Alexander Skarsgard <\/strong><span>de forma apropriadamente hesitante. A dan\u00e7a que os atores da s\u00e9rie fazem, de quebrar ideias pr\u00e9-concebidas atrav\u00e9s de intera\u00e7\u00f5es que sempre se apresentam como escolhas entre a generosidade e o ego\u00edsmo, \u00e9 um prazer \u00fanico desta vers\u00e3o de <\/span><span>Murderbot <\/span><span>&#8211; que essas cria\u00e7\u00f5es ficcionais tenham espa\u00e7o para ser frustrantes e inspiracionais, embara\u00e7osas e genu\u00ednas, equivocadas e surpreendentes, \u00e9 uma adi\u00e7\u00e3o bem-vinda a um mundo que j\u00e1 tinha muito carisma.<\/span><\/span><\/p>\n<article class=\"col overview\">\n<div class=\"overview__content\">\n<div class=\"list\">\n<div class=\"list__picture js-lazy-src-wrapper\">\n<picture>\n<p>              <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.ome.lt\/AQMfMx0jRu6_l8tkHqR8s0pPPQc=\/200x0\/smart\/extras\/capas\/murder_A6SXMTK.jpg\" alt=\"\" title=\"\"><\/p>\n<div class=\"loading\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.ome.lt\/static\/omelete\/img\/loading.svg\" alt=\"\" title=\"\">\n<\/div>\n<\/picture><\/div>\n<div class=\"list__itens col-xs-24 col-xl-19\">\n<p><h2 class=\"title\">Di\u00e1rios de um Rob\u00f4 Assassino<\/h2>\n<\/p>\n<div class=\"list__itens__wrapper\">\n<div class=\"list__itens__col\">\n<p class=\"item\">\n<p>                  <span>Criado por:<\/span> <\/p>\n<p>                Chris Weitz, Paul Weitz\n              <\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>    <span class=\"justwatch-credit\">Onde assistir:<\/span><\/p>\n<\/article>\n<\/div>\n<p><script>\n  window.addEventListener('load', function(){\n    !function(f,b,e,v,n,t,s){if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?\n      n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};if(!f._fbq)f._fbq=n;\n      n.push=n;n.loaded=!0;n.version='2.0';n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;\n      t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window,\n      document,'script','\/\/connect.facebook.net\/en_US\/fbevents.js');\n    fbq('init', '1022132447830898');\n    fbq('track', \"PageView\");\n  });\n<\/script><br \/>\n<br \/>[ad_2]<br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.omelete.com.br\/series-tv\/criticas\/murderbot-diarios-de-um-robo-assassino\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Acesse link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 6 minutos<\/small> [ad_1] Qualquer leitor de The Murderbot Diaries, s\u00e9rie liter\u00e1ria de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica assinada por Martha Wells, sabe que grande parte da gra\u00e7a da trama urdida pela escritora est\u00e1 no di\u00e1logo interno do protagonista &#8211; um andr\u00f3ide de seguran\u00e7a pesadamente armado, que hackeou o seu m\u00f3dulo de controle e reescreveu o c\u00f3digo que o obrigava a obedecer \u00e0s ordens dos humanos que contratam os seus servi\u00e7os atrav\u00e9s do conglomerado empresarial que o construiu. 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