{"id":9960360706,"date":"2025-05-17T11:33:45","date_gmt":"2025-05-17T14:33:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.arkaonline.com.br\/blog\/critica-do-filme-com-pedro-pascal-e-joaquin-phoenix\/"},"modified":"2025-05-17T11:33:45","modified_gmt":"2025-05-17T14:33:45","slug":"critica-do-filme-com-pedro-pascal-e-joaquin-phoenix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.arkaonline.com.br\/blog\/critica-do-filme-com-pedro-pascal-e-joaquin-phoenix\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica do filme com Pedro Pascal e Joaquin Phoenix"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 6 minutos<\/small><\/p> <p> [ad_1]<br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>E se <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Doomscrolling\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><em>doomscrolling<\/em><\/a> fosse um filme? Essa ideia \u2013 de reproduzir a sensa\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica de rolar o feed das redes sociais infinitamente, acumulando not\u00edcias ruins, discursos de todo tipo e v\u00eddeos de 60s recheados de uma caracter\u00edstica deprimente \u2013 parece ter inspirado <strong>Ari Aster<\/strong> a fazer <em><strong>Eddington<\/strong><\/em>, um filme que escolhe o momento onde dobramos a esquina da loucura para estufar sua hist\u00f3ria com toda pol\u00eamica imagin\u00e1vel, de tudo envolvendo COVID-19 \u00e0 viol\u00eancia policial, passando no caminho por imigra\u00e7\u00e3o, ativismo branco,\u00a0<em>big techs<\/em> e Trump.<\/p>\n<p>Para encenar a narrativa, que come\u00e7a em maio de 2020, o diretor de <em><strong>Heredit\u00e1rio<\/strong><\/em> e <em><strong>Midsommar<\/strong><\/em> escolhe a energia comicamente ansiosa do primeiro ato de seu pouco visto <em><strong>Beau Tem Medo<\/strong><\/em>, dando ao mundo da pequena cidade que d\u00e1 nome ao filme um ar de pesadelo. Mas onde Beau se apoia no surrealismo, <em>Eddington<\/em> aposta na pol\u00edtica e na vida social. A cada esquina h\u00e1 uma piada, e toda risada \u00e9 uma <em>bad vibe<\/em>.<\/p>\n<p>A maior parte desses risos nervosos vem de <strong>Joaquin Phoenix<\/strong> como Joe Cross, o xerife pr\u00f3-armas e anti-m\u00e1scaras deste condado no Novo M\u00e9xico que usa sua recusa de usar m\u00e1scaras como combust\u00edvel para abastecer uma campanha contra o atual prefeito, Ted Garcia (<strong>Pedro Pascal<\/strong>). \u00c9 verdade que a reelei\u00e7\u00e3o de Garcia n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o garantida devido \u00e0 decis\u00e3o do pol\u00edtico de usar dinheiro p\u00fablico para construir um centro de processamento daqueles que sugam \u00e1gua e energia para que IAs gerem suas aberra\u00e7\u00f5es, mas Joe est\u00e1 longe de ser um advers\u00e1rio \u00e0 altura \u2013 sua decis\u00e3o de se candidatar vem depois que um residente idoso de Eddington, tamb\u00e9m convencido de que o coronav\u00edrus \u00e9 balela, posta uma selfie com ele. Ainda assim, munido apenas do apoio dos \u00fanicos dois policiais da cidade, l\u00e1 vai ele.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 suficiente para voc\u00ea? Felizmente, Aster apresenta ainda Lou (<strong>Emma Stone<\/strong>), a esposa de Joe cuja sa\u00fade mental j\u00e1 complicada corre o risco de explodir gra\u00e7as \u00e0 sua nova devo\u00e7\u00e3o a Vernon Jefferson Peak (<strong>Austin Butler<\/strong>), um televangelista online que trocou Deus por teorias da conspira\u00e7\u00e3o (exceto quando o Divino lhe \u00e9 conveniente) ainda mais malucas do que aquelas que a m\u00e3e da mulher, Dawn (<strong>Deidre O&#8217;Connell<\/strong>), passa o dia lendo em voz alta no computador. Complicando ainda mais o dia a dia de Joe est\u00e3o os crescentes protestos da pequena, mas vocal comunidade ativista da cidade, liderados pela autodeclarada \u201ctraidora branca\u201d Sarah (<strong>Am\u00e9lie Hoeferle<\/strong>), por quem o filho do prefeito, Eric (<strong>Matt Gomez Hidaka<\/strong>), e seu melhor amigo Brain (<strong>Cameron Mann<\/strong>) est\u00e3o apaixonados o suficiente para assumir qualquer causa.<\/p>\n<p>Se esses dois par\u00e1grafos de preparo soam cansativos, ent\u00e3o fiz meu trabalho em comunicar a teia de relacionamentos e din\u00e2micas propositalmente bagun\u00e7ada que envolve todo o filme, e para empacotar tudo isso, Aster tem um g\u00eanero em mente. Se n\u00e3o ficar claro na primeira grande discuss\u00e3o de Joe e Ted, filmada com cada um de um lado da tela e de frente para o outro como num duelo, ent\u00e3o uma refer\u00eancia \u00e0 eterna despedida de <a href=\"https:\/\/houseofgeekery.com\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/scenesearch.jpg\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">John Wayne em <em>Rastros do \u00d3dio<\/em><\/a> que posiciona Phoenix como o cowboy mais triste da hist\u00f3ria deixar\u00e1 claras as inten\u00e7\u00f5es do cineasta de fazer um faroeste. Se <em>Eddington<\/em> \u00e9 um filme de bangue-bangue, ideias s\u00e3o as balas, e todo mundo est\u00e1 atirando em todo mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que o filme eventualmente decide usar muni\u00e7\u00e3o de verdade, incluindo numa sequ\u00eancia de tiroteio \u00e0 noite, com Joe indo de esquina a esquina em Eddington, que deixar\u00e1 qualquer f\u00e3 de a\u00e7\u00e3o impressionado com o controle de tens\u00e3o de Aster, mas a transi\u00e7\u00e3o para a viol\u00eancia funciona precisamente porque o que vem antes \u00e9 t\u00e3o explosivo quanto p\u00f3lvora. E seja com os pensamentos cada vez mais malucos que trafegam na mente de sua esposa, vivida por Stone com um tempero humor\u00edstico que devasta tanto quanto diverte, ou seja na crescente rivalidade com Ted \u2013 que sofre um pouco para ser interessante devido \u00e0 natureza de bom-mo\u00e7o inerente a Pascal, mas ainda \u00e9 um bom oposto a Joe \u2013 tudo est\u00e1 se virando contra o xerife, incluindo seus pulm\u00f5es. Phoenix, novamente disposto a se humilhar pelo diretor, \u00e9 mais convincente aqui como um perdedor capaz de fazer qualquer coisa do que em <em>Coringa<\/em>, e a forma como o filme vai fechando o cerco emocional a seu redor comunica com maestria a sensa\u00e7\u00e3o de cacofonia da internet. Para o bem e para o mal <em>Eddington<\/em> \u00e9 o filme mais online imagin\u00e1vel.<\/p>\n<p>Propositalmente exaustivo, Eddington merece pontos por n\u00e3o tentar parodiar a vida p\u00f3s-2020 atrav\u00e9s disso tudo. Muito se fala de como produtos culturais como <em>GTA<\/em> e <em>Saturday Night Live<\/em> sofrem para arrancar as mesmas risadas de suas vers\u00f5es exageradas da modernidade, j\u00e1 que algo t\u00e3o inacredit\u00e1vel quanto suas brincadeiras pode ser encontrado no notici\u00e1rio da CNN. Ciente disso, Aster at\u00e9 satiriza, mas n\u00e3o transforma nenhum de seus personagens em caricatura, preferindo apenas levantar um espelho para quase tudo que os algoritmos em nossos smartphones nos servem pela manh\u00e3. O resultado ser\u00e1 igualmente desgastante para defensores e adoradores de <em>Eddington<\/em>, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 como abordar isso tudo sem esgotar nossas reservas emocionais.<\/p>\n<p>Diante disso, o humor do filme se torna uma ferramenta indispens\u00e1vel, mas \u00e9 dif\u00edcil enxergar para onde tudo isso leva. Se <em>Eddington<\/em> tira alguma conclus\u00e3o dessa salada de temas e tons, \u00e9 que quem historicamente se aproveita dos outros continuar\u00e1 fazendo o mesmo, e que a gera\u00e7\u00e3o que saiu da pandemia por cima \u00e9 ainda pior do que os Joe Crosses da vida. O ciclo continua. Apresentada com superficialidade, essa ideia vem num ep\u00edlogo que, enquanto c\u00f4mico, parece revelar uma tentativa do roteiro de Aster de encontrar sentido em tudo que veio antes. Talvez fosse melhor apenas jogar os bra\u00e7os para cima e dizer que viver no aqui, e agora, \u00e9 como estar num sonho febril sem fim.<\/p>\n<p><em>Eddington<\/em> funciona mais no momento a momento desse vai-e-vem pol\u00edtico justamente porque, ao inv\u00e9s de investigar a fundo e virar algo pedante, Aster usa as imagens e conceitos mais polemizados do S\u00e9culo 21 para gerar com\u00e9dia e estabelecer um filme \u00fanico dentro dos neo-westerns. \u00c9 claro que isso n\u00e3o satisfar\u00e1 a todos, mas a inten\u00e7\u00e3o do artista, aqui, n\u00e3o parece ser a de comentar tanto quanto a de surtar e nos levar junto. Aster transforma os poucos quil\u00f4metros quadrados de Eddington num caldeir\u00e3o, usando cada elemento carregado desta d\u00e9cada como ingrediente e ligando o fogo no m\u00e1ximo s\u00f3 para ver o que acontece. H\u00e1 prazer nesse caos, s\u00f3 n\u00e3o espere um prato gostoso no fim.<\/p>\n<article class=\"col overview\">\n<div class=\"overview__content\">\n<div class=\"list\">\n<div class=\"list__picture js-lazy-src-wrapper\">\n<picture>\n<p>              <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.ome.lt\/qY1uSU_2OR2h18NzrK5JH5pYZrA=\/200x0\/smart\/extras\/capas\/eddington-poster.jpg\" alt=\"\" title=\"\"><\/p>\n<div class=\"loading\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.ome.lt\/static\/omelete\/img\/loading.svg\" alt=\"\" title=\"\">\n<\/div>\n<\/picture><\/div>\n<div class=\"list__itens col-xs-24 col-xl-19\">\n<p><h2 class=\"title\">Eddington<\/h2>\n<h3 class=\"subtitle\">Eddington<\/h3>\n<\/p>\n<div class=\"list__itens__wrapper\">\n<div class=\"list__itens__col\">\n<p class=\"item\">\n                <span>Ano:<\/span><br \/>\n                2025\n              <\/p>\n<p class=\"item\">\n                <span>Pa\u00eds:<\/span><br \/>\n                EUA\n              <\/p>\n<p class=\"item\">\n                <span>Classifica\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p>                  16 anos<\/p>\n<p class=\"item\">\n                <span>Dura\u00e7\u00e3o:<\/span><br \/>\n                148 min\n              <\/p>\n<p class=\"item\">\n                <span>Dire\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p>                  Ari Aster<\/p>\n<p class=\"item\">\n                <span>Roteiro:<\/span><\/p>\n<p>                  Ari Aster<\/p>\n<p class=\"item\">\n                <span>Elenco:<\/span><\/p>\n<p>                  Pedro Pascal<br \/>\n                ,<br \/>\n                  Joaquin Phoenix<br \/>\n                ,<br \/>\n                  Emma Stone<br \/>\n                ,<br \/>\n                  Austin Butler<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>    <span class=\"justwatch-credit\">Onde assistir:<\/span><\/p>\n<\/article>\n<\/div>\n<p><script>\n  window.addEventListener('load', function(){\n    !function(f,b,e,v,n,t,s){if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?\n      n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};if(!f._fbq)f._fbq=n;\n      n.push=n;n.loaded=!0;n.version='2.0';n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;\n      t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window,\n      document,'script','\/\/connect.facebook.net\/en_US\/fbevents.js');\n    fbq('init', '1022132447830898');\n    fbq('track', \"PageView\");\n  });\n<\/script><br \/>\n<br \/>[ad_2]<br \/>\n<br \/>Fonte:<a href=\"https:\/\/www.omelete.com.br\/filmes\/criticas\/eddington-criitca-ari-aster-pedro-pascal-joaquin-phoenix-critica\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Omelete<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 6 minutos<\/small> [ad_1] E se doomscrolling fosse um filme? 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