{"id":9960366893,"date":"2026-06-21T18:01:42","date_gmt":"2026-06-21T21:01:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.arkaonline.com.br\/blog\/reforma-tributaria-e-desoneracao-das-exportacoes-por-que-a-lc-no-214-2025-pode-transformar-a-neutralidade-em-barreira-burocratica-e-prejudicar-pequenas-tradings\/"},"modified":"2026-06-21T18:01:42","modified_gmt":"2026-06-21T21:01:42","slug":"reforma-tributaria-e-desoneracao-das-exportacoes-por-que-a-lc-no-214-2025-pode-transformar-a-neutralidade-em-barreira-burocratica-e-prejudicar-pequenas-tradings","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.arkaonline.com.br\/blog\/reforma-tributaria-e-desoneracao-das-exportacoes-por-que-a-lc-no-214-2025-pode-transformar-a-neutralidade-em-barreira-burocratica-e-prejudicar-pequenas-tradings\/","title":{"rendered":"Reforma tribut\u00e1ria e desonera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es: por que a LC n\u00ba 214\/2025 pode transformar a neutralidade em barreira burocr\u00e1tica e prejudicar pequenas tradings"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 4 minutos<\/small><\/p> <h2>Como a Lei Complementar n\u00ba 214\/2025 condiciona a desonera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es a requisitos que v\u00e3o al\u00e9m da comprova\u00e7\u00e3o de destino, elevando custos e riscos para pequenas e m\u00e9dias tradings<\/h2>\n<p>&#8220;A promessa central da reforma tribut\u00e1ria do consumo foi clara: garantir neutralidade econ\u00f4mica e desonerar integralmente as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras.&#8221;, essa foi a premissa inicial que orientou a reforma, mas agora enfrenta um paradoxo pr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Embora o texto da reforma preveja a n\u00e3o incid\u00eancia do IBS e da CBS nas exporta\u00e7\u00f5es, a norma nova introduziu requisitos operacionais que podem impedir o acesso autom\u00e1tico ao benef\u00edcio por intermedi\u00e1rios.<\/p>\n<p>O resultado, segundo especialistas, \u00e9 o risco de transformar a <b>desonera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es<\/b> em um privil\u00e9gio para quem tem maior porte ou certifica\u00e7\u00f5es, em vez de um direito objetivo vinculado ao destino da mercadoria, conforme informa\u00e7\u00e3o divulgada pelo Nelson Wilians Advogados.<\/p>\n<h3>O paradoxo jur\u00eddico e os precedentes do Supremo<\/h3>\n<p>A <b>Lei Complementar n\u00ba 214\/2025<\/b> manteve no seu artigo 79 a regra de n\u00e3o incid\u00eancia do Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os, IBS, e da Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os, CBS, nas exporta\u00e7\u00f5es, mas o artigo 82 condiciona a suspens\u00e3o desses tributos nas exporta\u00e7\u00f5es indiretas a exig\u00eancias adicionais.<\/p>\n<p>Entre as exig\u00eancias est\u00e3o certifica\u00e7\u00e3o de <b>Operador Econ\u00f4mico Autorizado (OEA)<\/b>, patrim\u00f4nio l\u00edquido m\u00ednimo, ades\u00e3o ao Domic\u00edlio Tribut\u00e1rio Eletr\u00f4nico, regularidade fiscal ampla e escritura\u00e7\u00e3o digital espec\u00edfica, requisitos que se vinculam ao perfil do intermedi\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Tema 674, reconheceu que &#8220;a imunidade das contribui\u00e7\u00f5es sobre exporta\u00e7\u00f5es alcan\u00e7a tamb\u00e9m as opera\u00e7\u00f5es indiretas realizadas por interm\u00e9dio de tradings&#8221;, quando analisou o RE 759.244, e consolidou a ideia de que a Constitui\u00e7\u00e3o protege a receita vinculada ao mercado externo, independentemente do perfil do agente.<\/p>\n<h3>Onde est\u00e1 a afronta \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>O texto legal cria tens\u00e3o com normas constitucionais, porque a Constitui\u00e7\u00e3o adota uma l\u00f3gica objetiva, em que o que importa \u00e9 a destina\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o as caracter\u00edsticas do agente envolvido, frase que tem sido citada por operadores jur\u00eddicos na an\u00e1lise da norma.<\/p>\n<p>No caso da CBS, h\u00e1 forte argumento de afronta ao <b>artigo 149, \u00a7 2\u00ba, inciso I, da Constitui\u00e7\u00e3o<\/b>. Quanto ao IBS, o conflito emerge da regra de n\u00e3o incid\u00eancia prevista no <b>artigo 156-A, \u00a7 1\u00ba, inciso III<\/b>. Al\u00e9m disso, o artigo 149-B exige tratamento harm\u00f4nico entre IBS e CBS em hip\u00f3teses de n\u00e3o incid\u00eancia, imunidades, n\u00e3o cumulatividade e creditamento, o que amplia a complexidade jur\u00eddica.<\/p>\n<h3>Impactos concorrenciais e riscos para pequenas empresas<\/h3>\n<p>Exig\u00eancias como patrim\u00f4nio l\u00edquido elevado e certifica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas podem funcionar como barreiras de entrada, favorecendo grandes operadores e restringindo a competitividade do setor exportador.<\/p>\n<p>Ao condicionar a frui\u00e7\u00e3o imediata da <b>desonera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es<\/b> ao porte ou ao perfil operacional do intermedi\u00e1rio, a norma tende a excluir pequenas e m\u00e9dias tradings, reduzindo diversidade de oferta e capacidade de atendimento a nichos do mercado externo.<\/p>\n<p>Essa preocupa\u00e7\u00e3o ganhou corpo em decis\u00e3o recente da 7\u00aa Vara da Fazenda P\u00fablica do Distrito Federal, no Mandado de Seguran\u00e7a Coletivo n\u00ba 0701878-82.2026.8.07.0018, que reconheceu que condicionantes subjetivas capazes de gerar \u00f4nus tribut\u00e1rio indireto podem comprometer a diretriz constitucional de desonera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Como conciliar controle e competitividade<\/h3>\n<p>O desafio n\u00e3o \u00e9 eliminar mecanismos de preven\u00e7\u00e3o a fraudes, que s\u00e3o leg\u00edtimos, mas aperfei\u00e7o\u00e1-los para que sejam objetivos e proporcionais, preservando a <b>desonera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es<\/b> como um direito atrelado ao destino da mercadoria.<\/p>\n<p>Medidas eficientes incluem comprova\u00e7\u00e3o efetiva da exporta\u00e7\u00e3o, rastreabilidade documental, responsabiliza\u00e7\u00e3o por desvios de finalidade e sistemas eletr\u00f4nicos integrados, em vez de filtros baseados no porte econ\u00f4mico do intermedi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Se a reforma tribut\u00e1ria pretende aumentar a competitividade do Brasil no com\u00e9rcio internacional, \u00e9 fundamental que os instrumentos de controle n\u00e3o substituam antigos entraves por novas barreiras burocr\u00e1ticas, sob risco de afastar agentes menores e reduzir o dinamismo exportador.<\/p>\n<p>Em suma, garantir a <b>desonera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es<\/b> plena, objetiva e acess\u00edvel a todos os agentes econ\u00f4micos \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para que a neutralidade prometida pela reforma se transforme em vantagem competitiva real.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 4 minutos<\/small> Como a Lei Complementar n\u00ba 214\/2025 condiciona a desonera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es a requisitos que v\u00e3o al\u00e9m da comprova\u00e7\u00e3o de destino, elevando custos e riscos para pequenas e m\u00e9dias tradings &#8220;A promessa central da reforma tribut\u00e1ria do consumo foi clara: garantir neutralidade econ\u00f4mica e desonerar integralmente as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras.&#8221;, essa foi a premissa inicial que orientou a reforma, mas agora enfrenta um paradoxo pr\u00e1tico. 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