{"id":9960367827,"date":"2026-07-19T18:09:36","date_gmt":"2026-07-19T21:09:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.arkaonline.com.br\/blog\/esquecimento-mata-relato-de-filho-sobre-pai-internado-e-delirante-expoe-como-a-memoria-perdida-e-o-abandono-emocional-ferem-familias-diz-eberth-vencio\/"},"modified":"2026-07-19T18:09:36","modified_gmt":"2026-07-19T21:09:36","slug":"esquecimento-mata-relato-de-filho-sobre-pai-internado-e-delirante-expoe-como-a-memoria-perdida-e-o-abandono-emocional-ferem-familias-diz-eberth-vencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.arkaonline.com.br\/blog\/esquecimento-mata-relato-de-filho-sobre-pai-internado-e-delirante-expoe-como-a-memoria-perdida-e-o-abandono-emocional-ferem-familias-diz-eberth-vencio\/","title":{"rendered":"Esquecimento mata, relato de filho sobre pai internado e delirante exp\u00f5e como a mem\u00f3ria perdida e o abandono emocional ferem fam\u00edlias, diz Eberth V\u00eancio"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 3 minutos<\/small><\/p> <h2>Esquecimento mata quando lembran\u00e7as se despeda\u00e7am, quando filhos veem pais delirando na UTI e quando a indiferen\u00e7a social e m\u00e9dica transforma perda em apagamento<\/h2>\n<p>O esquecimento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma falha da mem\u00f3ria, \u00e9 uma viol\u00eancia silenciosa que corr\u00f3i la\u00e7os, direitos e dignidade. O relato do escritor e m\u00e9dico Eberth V\u00eancio traz isso para perto, em um quadro que mistura perda, cuidado prec\u00e1rio e solid\u00e3o.<\/p>\n<p>No texto, imagens breves e contundentes se sucedem, e o leitor acompanha a tens\u00e3o entre a presen\u00e7a f\u00edsica e a aus\u00eancia reconhecida pela lembran\u00e7a. A cena final, de um filho que n\u00e3o \u00e9 reconhecido pelo pai, capta o drama do esquecimento.<\/p>\n<p>conforme texto publicado na Revista Bula por Eberth V\u00eancio.<\/p>\n<h3>Mem\u00f3rias fragmentadas, culpa e o rosto do esquecimento<\/h3>\n<p>No relato, a repeti\u00e7\u00e3o das primeiras frases cria um efeito de choque, e o autor escreve, com exatid\u00e3o, &#8220;Meu pai est\u00e1 morto. Meu pai est\u00e1 vivo. Meu pai claudica na minha mem\u00f3ria em frangalhos.&#8221; Essas frases mostram como o <b>esquecimento mata<\/b> ao transformar o passado compartilhado em fragmentos desconexos.<\/p>\n<p>O pai do texto morreu aos 83 anos, embora, segundo o autor, &#8220;esperasse pela morte desde os 35&#8221;. Essa antecipa\u00e7\u00e3o da perda acompanha fam\u00edlias inteiras, e a mem\u00f3ria passa a ser um territ\u00f3rio inst\u00e1vel, onde a presen\u00e7a f\u00edsica n\u00e3o garante o reconhecimento emocional.<\/p>\n<h3>O delirium na UTI e a falha das redes de cuidado<\/h3>\n<p>O epis\u00f3dio na UTI \u00e9 central para entender como o <b>esquecimento mata<\/b> de maneiras concretas, quando sistema de sa\u00fade e rela\u00e7\u00f5es familiares se mostram fr\u00e1geis. O autor descreve o pai contido, com ataduras e confuso, pedindo para ser solto e oferecendo dinheiro, revelando o sofrimento do paciente delirante e a impot\u00eancia de quem est\u00e1 ao lado.<\/p>\n<p>Na passagem em que o paciente diz &#8220;deixa de brincadeira voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 meu filho nem aqui nem na China&#8221;, est\u00e1 a crueldade do momento, a perda de v\u00ednculo que assusta e paralisa. A equipe m\u00e9dica age para tratar a sepse e preparar nova interven\u00e7\u00e3o, mas o desfecho segue incerto e doloroso.<\/p>\n<h3>Esquecimento mata al\u00e9m da morte, \u00e9 apagamento social<\/h3>\n<p>O texto tamb\u00e9m aponta para uma dimens\u00e3o social do esquecimento, quando o autor lembra de pr\u00e1ticas do passado em que necropsias n\u00e3o eram feitas em popula\u00e7\u00f5es pobres, e quando suspeitas e estigmas cercavam mortes. Essa omiss\u00e3o institucional e cultural amplia o efeito do esquecimento, tornando fam\u00edlias invis\u00edveis na dor.<\/p>\n<p>O autor conclui com uma nota \u00edntima e definitiva, ao afirmar, em palavras que ecoam: &#8220;Eu nunca te esque\u00e7o, pai. Tintim!&#8221; Essa afirma\u00e7\u00e3o contrap\u00f5e o apagamento, reafirma um v\u00ednculo e lembra que, mesmo diante do abandono e do del\u00edrio, resta a lembran\u00e7a como resist\u00eancia.<\/p>\n<h3>O que fica e o que falta, li\u00e7\u00f5es do relato<\/h3>\n<p>O relato de Eberth V\u00eancio serve como alerta, tanto para fam\u00edlias quanto para profissionais de sa\u00fade e para pol\u00edticas p\u00fablicas. O <b>esquecimento mata<\/b> quando falham o cuidado digno, a aten\u00e7\u00e3o aos estados mentais de pacientes e a mem\u00f3ria coletiva que honra quem partiu.<\/p>\n<p>Fica a necessidade de pr\u00e1ticas que atenuem a solid\u00e3o dos pacientes, apoio a familiares e uma reflex\u00e3o sobre como a sociedade trata a velhice, a doen\u00e7a e a perda. Reconhecer a dor narrada \u00e9 o primeiro passo para evitar que o esquecimento continue a ferir, social e emocionalmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 3 minutos<\/small> Esquecimento mata quando lembran\u00e7as se despeda\u00e7am, quando filhos veem pais delirando na UTI e quando a indiferen\u00e7a social e m\u00e9dica transforma perda em apagamento O esquecimento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma falha da mem\u00f3ria, \u00e9 uma viol\u00eancia silenciosa que corr\u00f3i la\u00e7os, direitos e dignidade. 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