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Ataque dos EUA à Venezuela: A Verdadeira Agenda de Trump para a Hegemonia Regional e o Alerta Vermelho que Acende para o Brasil e a América Latina

Helicópteros militares dos EUA sobrevoando a fronteira venezuelana com soldados em cena, simbolizando ataque EUA à Venezuela

Tempo de leitura: 5 minutos

O recente ataque dos Estados Unidos ao território venezuelano, culminando na prisão do presidente Nicolás Maduro, não se restringe apenas ao controle de vastas reservas de petróleo ou ao combate ao narcotráfico. A ação, na visão de especialistas, revela uma ambição geopolítica muito maior.

Analistas de relações internacionais indicam que a busca pela hegemonia regional na América Latina e no Caribe é o principal motor por trás da agressão cometida pelo governo de Donald Trump, marcando um novo capítulo na política externa americana.

Essa perspectiva é detalhada em uma análise da revista eletrônica Consultor Jurídico, que ouviu diversos especialistas sobre as verdadeiras motivações por trás da intervenção.

Hegemonia Geopolítica e a Estratégia de Trump

Para o professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra, Ronaldo Carmona, a intervenção na Venezuela deve ser interpretada como o primeiro passo da nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Esse documento, divulgado em novembro do ano passado pelo governo Trump, é claro em suas intenções.

A estratégia visa explicitamente negar a competidores não hemisféricos, especificamente a China, a capacidade de possuir ativos estratégicos ou de exercer influência militar e econômica significativa na região.

Carmona explica que este movimento inicial busca a mudança de regimes que não se alinham com a hegemonia plena da superpotência na região. A Venezuela, ao se aliar com Rússia, China e Irã, representava uma afronta direta aos objetivos de Washington.

A consolidação da influência norte-americana é vista como o fator motivador principal, superando até mesmo os interesses imediatos relacionados ao petróleo, embora estes também sejam importantes para a hegemonia regional.

Implicações Econômicas e o Impacto da Dívida Chinesa

Do ponto de vista econômico, a intervenção na Venezuela trará impactos consideráveis. Com a instalação de um governo “dócil”, os Estados Unidos poderiam ter o domínio das maiores reservas de petróleo do mundo, ampliando significativamente sua autonomia energética.

Contudo, a ação também afeta diretamente a China, que possui cerca de 60 bilhões de dólares em créditos ancorados nessas reservas venezuelanas. Ronaldo Carmona alerta que um novo governo alinhado a Washington “provavelmente não reconhecerá” essa dívida.

Essa potencial recusa em honrar os compromissos financeiros com a China pode se tornar um novo ponto de tensão entre Washington e Pequim, adicionando complexidade às relações globais e à busca pela hegemonia regional.

O Brasil na Mira da Política Externa Americana

A intervenção na Venezuela também serve como um recado claro ao Brasil. Carmona sugere que o recente recuo dos Estados Unidos em relação às tarifas impostas ao Brasil foi meramente tático, parte de uma estratégia maior para a hegemonia regional.

Na geopolítica clássica americana, o Brasil é considerado o principal oponente hemisférico à hegemonia plena dos EUA, devido à sua busca por autonomia. O especialista projeta que “em 2026, veremos o 'segundo ato' voltado ao Brasil”.

Este “segundo ato” incluiria “pesadas ações de interferência nas eleições visando instaurar um governo simpático aos interesses americanos, similar ao modelo 'dócil' da Argentina sob Milei”, afirma Carmona.

Embora a possibilidade de uma incursão militar no Brasil seja remota, devido às suas dimensões e poderio, especialistas como Carlos Honorato, da FIA Business School, não descartam o uso de outros instrumentos de pressão. Estes incluem leis extraterritoriais, sanções econômicas e a manipulação da opinião pública por meio de redes sociais.

Honorato vislumbra que o governo Trump “certamente vai querer 'meter o bedelho' nas eleições brasileiras e colombianas através de inteligência, influência de dados e mídias sociais”, reforçando a busca pela hegemonia regional.

Consequências Imediatas e o Alerta Regional

No mercado de petróleo, a intervenção, embora não seja o principal estímulo, trará impactos significativos. Carlos Honorato prevê “volatilidade” no curto prazo, com possíveis quedas técnicas de preço. No médio prazo, o aumento da oferta global é provável, caso empresas ocidentais como a Chevron participem.

Isso tenderia a baratear o preço da commodity, já que a estrutura de extração, refino e distribuição foi preservada. Outro efeito imediato e preocupante é o aumento de refugiados venezuelanos no Brasil, agravando a crise humanitária na fronteira, especialmente em Roraima.

Paulo Ricardo Bomfim, consultor e estrategista político, destaca que o Brasil se encontra em uma posição desconfortável, pagando a conta humanitária e de segurança de fronteira sem ter participado da decisão. Isso gera um dilema diplomático, pois o país historicamente defende a não intervenção.

Bomfim alerta que a ação militar na Venezuela deve ser encarada como um amplo recado para todos os países da região. “Não significa que outros países serão atacados militarmente, mas indica aumento de pressão política, econômica e diplomática sobre governos considerados hostis ou frágeis”, conclui, ressaltando a intensificação da busca por hegemonia regional.

Leia: Urgente: ONU convoca reunião extraordinária após a impactante operação militar dos EUA na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro. O que vem por aí?

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