MaXXXine: Mia Goth Brilha em Hollywood dos Anos 80, Enfrentando Terror e Ambição no Novo Thriller de Ti West

MaXXXine: Mia Goth Brilha em Hollywood dos Anos 80, Enfrentando Terror e Ambição no Novo Thriller de Ti West

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MaXXXine: Mia Goth Brilha em Hollywood dos Anos 80, Enfrentando Terror e Ambição no Novo Thriller de Ti West

Na efervescente Los Angeles de 1985, o sonho americano de fama colide com um pesadelo real. A cidade, já palco de ambições desmedidas, é subitamente mergulhada no pânico pelos crimes do temido Night Stalker, transformando cada esquina em um cenário de medo e incerteza.

É neste ambiente tenso que encontramos Maxine Minx, interpretada pela talentosa Mia Goth, em sua incansável jornada para ascender de estrela do cinema adulto a um ícone de Hollywood. Sua busca por um papel de destaque no cinema comercial é o fio condutor de “MaXXXine”, o novo thriller dirigido por Ti West.

O filme, que acompanha Maxine seis anos após os brutais acontecimentos de “X — A Marca da Morte”, promete uma corrida emocionante por fama, proteção e, acima de tudo, sobrevivência, conforme divulgado por Helena Oliveira.

O Passado Bate à Porta

Maxine Minx chega a “MaXXXine” com uma clareza incomum sobre seus objetivos, ela quer ser famosa e não se desculpa por isso. Contudo, em Los Angeles de 1985, essa ambição carrega um peso significativo, especialmente sob o terror causado pelos crimes do Night Stalker, que assombram a cidade e suas mulheres.

Nesse cenário de pânico, Maxine tenta a difícil transição do cinema adulto para o cinema de estúdio, um caminho repleto de obstáculos e pessoas prontas para fechar as portas em seu rosto. Ti West retoma a personagem de forma magistral, seis anos depois de sua brutal noite no Texas, onde ela milagrosamente sobreviveu.

Agora, vivendo na capital do cinema americano, Maxine se dedica a fazer contatos e vê na audição para “The Puritan II” a oportunidade de ouro para mudar sua trajetória. Este papel pode levá-la ao público que Hollywood considera legítimo, aquele que compra ingressos e comenta sobre estreias, fingindo ignorar as origens de muitas celebridades.

Maxine está ciente de tudo isso e entra no jogo com determinação, cabelo impecável e uma confiança que parece ter sido conquistada a duras penas. A audição a coloca diante da diretora Elizabeth Bender, interpretada por Elizabeth Debicki, uma cineasta que a observa com uma frieza calculista, sem qualquer carinho maternal.

Essa cena é crucial, pois resume a tensão do filme. Maxine não só precisa provar talento, presença e disciplina, mas também convencer uma indústria inteira de que seu passado não será usado contra ela. Elizabeth não a trata como vítima ou mascote de escândalo, ela avalia seu trabalho, postura e utilidade para o filme.

Essa abordagem fria, curiosamente, favorece Maxine, que não busca piedade, mas sim um contrato. No entanto, a promessa de ascensão começa a ruir quando John Labat, um investigador particular de aparência e modos duvidosos, interpretado por Kevin Bacon, passa a seguir Maxine.

Labat detém informações sobre o massacre no Texas e as utiliza para pressioná-la. Ele não surge apenas para assustar, mas representa a parte de Hollywood que adora transformar mulheres em mercadoria, para depois lhes cobrar uma limpeza moral impossível. Sua presença empurra Maxine para uma zona perigosa, onde cada recado pode se transformar em chantagem e cada silêncio pode custar-lhe o papel.

Kevin Bacon interpreta Labat com um prazer quase palpável, sem cair na caricatura. Ele é desagradável, insistente e um tanto ridículo, o que torna sua presença ainda mais incômoda. Há algo podre nesse homem que circula por Los Angeles, acreditando conhecer todos os atalhos da cidade, dos estúdios e da polícia.

Quando ele cruza o caminho de Maxine, o filme ganha um pulso de crime urbano. Não basta sobreviver ao assassino dos jornais, Maxine também precisa sobreviver aos homens que vivem de vender segredos. Neste ponto, “MaXXXine” se aproxima mais do suspense policial do que do terror tradicional.

O medo não vem apenas da possibilidade de uma morte violenta, mas da exposição. Maxine tenta proteger seu nome, seu emprego, seus amigos e sua chance de escapar do lugar onde Hollywood insiste em deixá-la. A cada nova ameaça, a personagem precisa decidir o que pode revelar, o que deve esconder e em quem ainda pode confiar. Em uma cidade cheia de holofotes, seu maior risco é ser vista pela pessoa errada.

Polícia, Estúdio e Suspeita

Os detetives Williams, interpretada por Michelle Monaghan, e Torres, vivido por Bobby Cannavale, entram na história quando pessoas próximas a Maxine começam a morrer. A polícia sabe que ela possui informações relevantes, mas Maxine aprendeu que falar demais também pode ser uma forma de perder o controle.

Michelle Monaghan confere a Williams uma firmeza seca, enquanto Bobby Cannavale faz de Torres um investigador mais espalhafatoso, quase impaciente com o teatro de Hollywood ao seu redor. Ambos pressionam Maxine por respostas, mas ela mede cada palavra, pois sua carreira acabou de ganhar um prazo.

Leon Green, amigo de Maxine e funcionário de uma locadora, interpretado por Moses Sumney, oferece um raro momento de respiro. Ele não aparece apenas para decorar a vida da protagonista, Leon pertence a um pedaço concreto daquela Los Angeles, feito de fitas, balcões, conversas noturnas e filmes que circulam antes de virarem memória.

Ao lado dele, Maxine parece menos blindada, embora nunca completamente desarmada. A relação confere ao filme um pouco de calor humano, algo necessário em uma história onde quase todos parecem vender, comprar ou cobrar alguma coisa. Teddy Knight, agente de Maxine, interpretado por Giancarlo Esposito, também ocupa um lugar importante nessa engrenagem de ambição.

Ele sabe que a cliente tem potencial e tenta protegê-la dos danos que podem destruir uma carreira antes mesmo da estreia. Esposito traz elegância e malícia ao personagem, um homem que conhece os bastidores e não se assusta com a sujeira. Teddy não é santo, mas também não é ingênuo, em “MaXXXine”, essa já é uma virtude considerável.

Neon, Sangue e Fita VHS

Ti West constrói o filme com um gosto assumido pelos anos 1980, mas vai além de um simples desfile de referências. A estética de “MaXXXine” nasce de ruas iluminadas por neon, clubes noturnos, estúdios de cinema, fitas VHS, manchetes sensacionalistas e uma cidade que parece se filmar constantemente. O diretor usa esse ambiente para cercar Maxine com imagens.

Ela quer aparecer, mas a exposição também revela pistas, rastros e vulnerabilidades. A fama, aqui, não vem limpa, ela é acompanhada de câmeras, boatos, vigilância e pessoas dispostas a lucrar com a queda alheia. O filme possui uma ironia saborosa ao observar o moralismo em torno de Maxine.

Hollywood aceita sangue falso, corpos explorados e histórias de perversão, mas torce o nariz para a mulher que tenta sair do lugar onde foi colocada. Essa contradição rende algumas passagens mordazes, especialmente quando a solenidade do cinema comercial se choca com o passado da protagonista. Maxine não finge pureza, essa é uma das grandes qualidades da personagem.

Ela quer vencer com o material que tem, sem precisar escrever uma carta de desculpas para ser aceita no almoço dos respeitáveis. Mia Goth sustenta “MaXXXine” com uma performance que retrata Maxine como alguém ferida, mas jamais frágil. A atriz não suaviza a ambição da personagem para torná-la simpática.

Maxine pode ser dura, vaidosa, impulsiva e até assustadora quando se sente encurralada. Ainda assim, há uma energia profundamente humana em sua recusa em desaparecer. Ela já testemunhou o que acontece com mulheres transformadas em notas de rodapé, e sua resposta é ocupar o centro do palco antes que alguém a arquive.

Hollywood Cobra Caro

“MaXXXine” funciona melhor ao acompanhar a personagem enquanto ela tenta manter seu papel em “The Puritan II”, enquanto a cidade se fecha ao seu redor. A audição, a pressão de Labat, a investigação policial e os assassinatos próximos criam uma disputa contra o tempo.

Maxine precisa chegar ao set, escapar da chantagem, proteger sua versão dos fatos e impedir que o passado defina sua imagem pública. O roteiro avança nesse acúmulo de desafios, sem transformar a protagonista em uma vítima passiva de uma conspiração. Como crítica ao culto da fama, o filme é mais perspicaz quando não discursa.

Ele prefere colocar Maxine em salas onde sua presença é tolerada com ressalvas, em ruas onde sua segurança vale pouco e em conversas onde cada informação pode ser usada contra ela. A Los Angeles de Ti West não oferece redenção gratuita, ela oferece testes de elenco, contratos incertos, policiais em seu encalço e um investigador com faro de abutre.

Para Maxine, vencer significa continuar avançando quando quase todos esperam que ela se torne mais uma história interrompida. Sem entregar a resolução, “MaXXXine” deixa a sensação de que sua protagonista entende a fama como uma guerra de permanência. Mia Goth faz de Maxine uma sobrevivente que aprendeu a transformar o medo em presença.

Ti West, por sua vez, cerca essa presença com crime, terror e sarcasmo. O resultado é um filme que, embora irregular em alguns trechos, é repleto de personalidade, impulsionado por uma mulher que deseja o centro do palco mesmo quando a cidade inteira parece preparar a cortina para sua queda.