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O remake de 'The Killer', a joia de John Woo, chegou à Netflix e promete ação com cérebro e uma trama de crise moral que prenderá o espectador.
Prepare-se para uma experiência cinematográfica intensa, pois a aguardada nova versão de “The Killer”, do aclamado diretor John Woo, já está disponível na Netflix. Este lançamento não é apenas um filme de ação, mas uma profunda imersão em dilemas éticos e reviravoltas emocionais.
Em 1989, John Woo revolucionou o gênero de ação com o original “The Killer – O Matador”, um marco que explorava o lado sombrio da natureza humana com uma estética visual deslumbrante. Sua influência é sentida até hoje, moldando narrativas complexas e cheias de adrenalina.
Agora, 36 anos depois, o mestre retorna para reimaginar sua própria obra. Conforme a análise do jornalista Giancarlo Galdino, este novo “The Killer” é descrito como ainda mais envolvente que o original, capaz de chacoalhar o espectador, mesmo com algumas incoerências no roteiro.
Um Legado de Ação Reimaginado com Sensibilidade Contemporânea
O roteiro da nova produção, assinado por Woo, Josh Campbell e Brian Helgeland, resgata passagens que se tornaram icônicas no cinema. Eles realizaram ajustes discretos que refletem a correção política do século 21, mas sem arrefecer o vigor e a intensidade da narrativa, segundo o que foi divulgado.
As histórias de acertos de contas, regadas a rios de sangue e dilemas morais entre vilões e anti-heróis, continuam a ser o cerne da trama. Esses enredos, que colocam os personagens em momentos de grande tensão e reflexão, adaptam-se ao espírito do tempo, mantendo o interesse do público e atraindo novas audiências.
Zee: Uma Assassina em Crise Moral no Coração de Paris
O filme tem uma abertura marcante em uma igreja de estilo neogótico, com 252 anos, em Paris, cercada por vitrais desbotados e pombos. É neste cenário que Zee, interpretada por Nathalie Emmanuel, inicia sua jornada de transformação, deixando para trás sua antiga identidade.
O diretor utiliza esses recursos visuais para destacar a diferença entre este trabalho e sua obra anterior. A protagonista é uma mulher jovem, mas igualmente perdida, que busca um novo rumo para seu destino, mesmo sem saber qual caminho seguir.
A sequência em que Zee avança sobre uma quadrilha de mafiosos, munida de uma espada de samurai, é crucial. Ao vitimar acidentalmente Jennifer Clark, a cantora interpretada por Diana Silvers, ela é obrigada a rever seus planos, desencadeando uma mistura de pancadaria e intensos episódios de crise moral.
A performance de Nathalie Emmanuel torna esses conflitos internos especialmente incômodos e palpáveis para o espectador. É uma atuação que adiciona profundidade à personagem, tornando sua jornada de redenção ainda mais cativante.
A Nova Dinâmica dos Protagonistas e o Romance Improvável
Emmanuel brilha ainda mais ao lado de Omar Sy, que interpreta o detetive Sey. Juntos, eles reforçam a aura de “The Killer” como um conto sobre personagens em uma jornada de autodestruição, buscando um porto seguro e um sentido para suas vidas.
John Woo explora a ideia de um romance improvável, um tema que ele já havia apresentado quatro décadas atrás. Desta vez, a dinâmica entre a assassina e o policial, que antes eram do mesmo gênero, é repaginada, adicionando uma nova camada de complexidade e emoção à narrativa.
O Toque Pessoal do Diretor: Autonomia e Visão Artística
Esses atrevimentos narrativos demonstram a autonomia de John Woo como cineasta. Mesmo após tantos anos, ele continua a preservar sua visão artística, a despeito de pressões externas, mantendo sua voz única e inconfundível no cinema mundial.
“The Killer” na Netflix é, portanto, mais do que um filme de ação espetacular. É uma obra que convida à reflexão sobre redenção, destino e os caminhos inesperados que a vida nos apresenta. Uma experiência imperdível para quem busca ação com cérebro e emoção profunda.