Luca Guadagnino e ‘Depois da Caçada’ no Prime Video: Julia Roberts e Andrew Garfield em um Drama Psicológico que Desafia a Cultura do Cancelamento.

Luca Guadagnino e ‘Depois da Caçada’ no Prime Video: Julia Roberts e Andrew Garfield em um Drama Psicológico que Desafia a Cultura do Cancelamento.

Tempo de leitura: 3 minutos

O aclamado diretor Luca Guadagnino, conhecido por sua sensibilidade e profundidade, entrega ao Prime Video um drama psicológico que promete provocar e gerar discussões. Sua mais recente obra, intitulada “Depois da Caçada”, é descrita como elegante e cruel, impossível de ser assistida de forma passiva, exigindo total atenção do espectador.

Este filme não é apenas uma narrativa envolvente, mas também uma crítica afiada aos mecanismos sociais contemporâneos. Ele se propõe a explorar as nuances de um cenário complexo, onde verdades e percepções se misturam, desafiando o pensamento binário.

A trama central se desenrola em um ambiente acadêmico, confrontando diretamente a polêmica da cultura do cancelamento e seus impactos. Conforme análise do jornalista Giancarlo Galdino, a obra destaca como essas dinâmicas podem ser frágeis e prejudiciais.

A Trama Envolvente e Suas Acusações Chocantes

“Depois da Caçada” transporta o público para a atmosfera pantanosa de uma renomada universidade americana, onde um professor é atingido por uma acusação devastadora. A violência da situação é tão intensa que arrasta consigo uma colega próxima, revelando uma série de fatos novos e inesperados.

No centro da história está Alma Imhoff, uma professora de filosofia em Yale, interpretada por Julia Roberts. Sua rotina metódica e seus sonhos acadêmicos são abalados quando uma de suas alunas, Maggie, faz uma séria acusação.

Maggie, uma mulher lésbica que namora um homem transgênero não-binário, acusa o professor Hank de tê-la violentado. Ela busca o apoio de Alma para levar o caso à reitoria, mas a narrativa rapidamente mostra que nada é exatamente o que parece nesta complexa teia de relações e segredos.

Entre Versões e Segredos: A Complexidade dos Personagens

O roteiro de Nora Garrett, assinado para este drama psicológico, habilmente oferece pistas sobre a verdade, o mistério e a falsidade que permeiam os três personagens principais. A cada cena, novas descobertas surgem, alterando a percepção do público sobre suas motivações e caráter.

Uma cena crucial, que ocorre em um casebre afastado que Alma usa como retiro, coloca a protagonista de frente com Hank. Neste momento, fica evidente que Maggie pode ter dito a verdade, mas a própria estudante não é retratada como uma figura impecável, adicionando camadas de ambiguidade à trama.

A narrativa também questiona a sanidade das personagens, especialmente em um diálogo entre Maggie e Alma em um restaurante indiano. Pouco antes, um segredo revelado por Alma ao seu marido, Frederik, interpretado por Michael Stuhlbarg, impede qualquer conclusão definitiva sobre a índole da professora, desafiando o binarismo da geração Z.

O Elenco Estelar e a Crítica Social Implícita

O drama psicológico de Guadagnino é impulsionado por atuações marcantes. Julia Roberts entrega uma performance que oscila entre diferentes gradações de drama, intensificando-se após os arcos iniciais dos personagens. Sua Alma Imhoff é uma figura multifacetada, cheia de mistérios.

Andrew Garfield, no papel de Hank, demonstra habilidade ao transitar da autopiedade à fúria, sem nunca resolver completamente a questão da culpa de seu personagem, apenas sugerindo. Essa ambiguidade é um dos pontos altos da obra.

Ayo Edebiri, como Maggie, é ainda mais furtiva, contribuindo para a atmosfera de incerteza que permeia o filme. A presença de Michael Stuhlbarg, mesmo em aparições bissextas, é sempre estimulante, adicionando profundidade à trama.

Conforme Galdino, o filme de Guadagnino critica a ascensão do politicamente correto como método de avaliação intelectual, que, segundo ele, causa “inestimáveis prejuízos à formação cognitiva”. “Depois da Caçada” é, portanto, uma obra que convida à reflexão profunda sobre a verdade, a culpa e as complexidades das relações humanas em um mundo cada vez mais polarizado.

Leia: Por que ‘Uma Boa Pessoa’ no Prime Video com Florence Pugh e Morgan Freeman emociona tanto: dor, vício e redenção em uma comédia dramática que evita o moralismo