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Laura Dern e Liam Hemsworth estrelam 'Amores Solitários' na Netflix. Um romance existencialista visceral que mergulha nas dores e verdades cruas das conexões humanas. Assista agora!
Em um mundo onde a busca por conexão é constante, mas a intimidade muitas vezes se transforma em performance, um novo filme da Netflix promete desvendar as camadas mais profundas do amor. Prepare-se para uma jornada emocional que questiona o que realmente significa se entregar a um relacionamento.
Amores Solitários, estrelado por Laura Dern, Liam Hemsworth e Diana Silvers, não é apenas um drama romântico comum. Ele é uma obra que se aprofunda no romance existencialista, explorando as dores e as verdades incômodas que surgem quando duas vidas se entrelaçam de maneira inesperada.
Inspirado nas ideias de pensadores como Sartre, o filme convida o espectador a refletir sobre as escolhas, as responsabilidades e o custo inerente a cada conexão significativa, conforme informações da fonte.
O Retiro que Desmascara a Intimidade
A trama de Amores Solitários começa com uma romancista, interpretada por Laura Dern, buscando silêncio e disciplina no Marrocos. Ela tenta se proteger da sociabilidade que transforma a intimidade em espetáculo, focando apenas em sua escrita. Contudo, o retiro se revela um microcosmo que impõe convivência e uma sensação de vitrine, tornando o isolamento quase insustentável.
Nesse cenário, Owen Brophy, interpretado por Liam Hemsworth, chega como acompanhante de Lily Kemp, mas logo percebe seu próprio deslocamento. Sem uma função clara ou linguagem para circular naquele ambiente, ele se sente sem lugar, o que o empurra para a única conversa que não exige pose, a com Katherine.
A escritora insiste em reduzir o mundo ao trabalho, como se a escrita pudesse bloquear o resto. O obstáculo, porém, é que o retiro não é uma biblioteca, ele é um ambiente vivo, e o filme encontra tensão no modo como a privacidade vira moeda. Quando Katherine recua de encontros e pequenos rituais coletivos, o gesto é lido como julgamento ou frieza, e a consequência é que a solidão deixa de ser uma escolha silenciosa e passa a ser assunto.
Owen, por sua vez, tenta acompanhar Lily e manter uma imagem de apoio estável, mas a dinâmica entre eles se torna uma conta que não fecha. Ele evita o confronto, ela exige reconhecimento, e o desequilíbrio aparece nas frestas do cotidiano, no que fica sem resposta, no que vira cobrança indireta. Ao procurar ar fora desse circuito, Owen esbarra em Katherine, e a aproximação funciona primeiro como um alívio imediato, porque com ela ele não precisa provar pertencimento, só precisa dizer a verdade do próprio desconforto.
Quando o Desejo Encontra o Atrito Existencial
A relação entre Katherine e Owen cresce no espaço entre o que cada um pede e o que cada um consegue oferecer sem se trair. Katherine carrega uma vida já consolidada e um cansaço que a impede de tratar o desejo como um recomeço fácil. Owen, por outro lado, se move entre a vontade de romper com o que o desgasta e o medo de parecer irresponsável.
Quando ele a procura novamente, o gesto soa ao mesmo tempo como coragem e como fuga. Ele não diz que está desistindo da própria vida, mas começa a agir como se estivesse, e ela percebe isso antes de admitir que gosta da sensação de ser vista fora do papel que a consagrou. O romance existencialista, então, não acontece como catarse, ele acontece como atrito.
A diferença de idade e de mundo não vira slogan, ela vira ruído concreto, porque o que para um é liberdade para o outro pode ser uma ameaça, e o que para um é cuidado para o outro pode soar como controle. A direção evita transformar isso em tese e prefere deixar a tensão aparecer na logística dos encontros, no que é combinado, no que é escondido, no que precisa ser explicado depois. O resultado é que a paixão nunca vem limpa, ela vem com um custo embutido, fazendo o amor doer de uma forma particular.
A Estrada e o Peso das Escolhas Reais
A partir do momento em que os dois saem da bolha do retiro e o filme se abre para a estrada e para o litoral, o tempo parece se alongar. Essa mudança de espaço altera o peso das decisões, porque o que ali era um murmúrio em corredor vira uma escolha com consequência real. A intimidade ganha ar, mas também perde proteção, e o que parecia possível sob a licença da viagem começa a pedir lastro.
Owen passa a reavaliar o próprio trabalho e o tipo de ambição que ele vinha aceitando sem discutir. Essa reavaliação não é uma conversa bonita, ela é um risco material, é ficar sem um plano claro, é ter de responder por si. Katherine, por sua vez, tenta separar amor e escrita, mas o obstáculo é que ela pensa em frases, ela organiza a vida em narrativa, e o vínculo com ele ameaça virar matéria, não apenas presença.
Amar e Escrever: A Coragem de Sustentar o Inevitável
Quando os dois percebem que a história deles pode virar apenas uma lembrança bem escrita, o romance existencialista ganha uma camada mais áspera. A pergunta deixa de ser se há sentimento e vira se há coragem para sustentar esse sentimento fora do cenário que o permitiu, um desafio que faz o amor doer de forma profunda.
Amores Solitários funciona melhor quando recusa a fantasia de cura rápida e aceita que a conexão também pode expor. O filme de Netflix retrata o encontro como algo que abre portas e, ao mesmo tempo, aumenta a exigência de honestidade, sem santificar ninguém e sem reduzir a diferença a um choque de gerações.
No fim, a imagem que permanece é menos a do lugar exótico e mais a do retorno ao trabalho, com Katherine encarando a tela em branco e digitando, em um ciclo que reflete a essência do romance existencialista, onde a verdade da existência e do amor se manifesta nas escolhas diárias e nas suas consequências.