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Por que 'Boca de Fumo', estrelado por Dave Bautista, se tornou um dos filmes mais assistidos do Prime Video, mesmo com falhas na sua abordagem de um tema tão delicado como o das drogas.
A luta contra as drogas é uma realidade cruel que afeta milhões de vidas, desestruturando famílias e deixando um rastro de dor. É um tema complexo que exige um debate sério e profundo, com a necessidade de uma posição clara das autoridades.
Nesse cenário, o filme "Boca de Fumo", disponível no Prime Video, surge como uma produção que tenta abordar essa problemática, capturando a atenção de muitos espectadores. Ele se tornou um dos títulos mais assistidos da plataforma, com uma energia de "só mais 5 minutos" que prende o público.
Apesar de sua popularidade e do potencial do tema, a execução do filme divide opiniões, gerando controvérsia. Conforme análise do crítico Giancarlo Galdino, a obra tem suas fragilidades, provocando até mesmo "constrangimento pelo nonsense involuntário".
A Trama Viciante que Conquistou o Prime Video
O enredo de "Boca de Fumo" gira em torno de Ray Seale, interpretado por Dave Bautista, um dos melhores quadros da DEA, a agência antidrogas americana. Sua vida profissional é exemplar, mas a pessoal é um caos, especialmente na relação com o filho, Cody.
A trama se intensifica quando Cody, vivido por Jack Champion, se envolve com o submundo das drogas e enfrenta acusações graves. Ray, então, mergulha em uma busca desesperada para salvar o filho, confrontando seus próprios medos e falhas paternas.
Essa premissa de um pai lutando para resgatar sua família do vício e do crime é o motor que atrai muitos espectadores, prometendo uma história intensa e cheia de ação, característica de produções com Dave Bautista.
Dave Bautista e o Dilema Familiar
No filme, Ray Seale é um bom policial, mas um péssimo pai. O diretor Michael Dowse explora os medos do protagonista, revelando um coração aflito por baixo da armadura de herói. Ray está viúvo há algum tempo, imerso no trabalho, o que contribui para o afastamento dele e de Cody.
Uma das grandes fragilidades da trama, apontada por Giancarlo Galdino, é a química deficiente entre Dave Bautista e Jack Champion. Cada ator estaria "ocupado com a veracidade de sua performance", o que compromete a coesão da história.
Em meio a esse drama, surge Andre Washburn, coadjuvante de luxo vivido por Bobby Cannavale. Ele é quem "segura as pontas", oferecendo um respiro cômico, ainda que sem muito êxito, conforme a crítica de Galdino.
Críticas e a Abordagem do Tema das Drogas
Apesar da boa intenção de abordar um tema tão relevante, "Boca de Fumo" enfrenta críticas severas. Giancarlo Galdino afirma que o filme "alimenta a pretensão de contribuir para o debate", mas peca na execução devido a um roteiro fraco de Tom O’Connor e Gary Scott Thompson.
O filme tenta mostrar como as drogas continuam fazendo vítimas sem distinguir classe social, faixa etária ou cor da pele, e como a desestruturação familiar é o "passaporte macabro para um universo fantasioso, melancólico, feito de mentiras e dor".
Contudo, a crítica ressalta que o filme se perde em um "nonsense involuntário", falhando em sua ambição. A promessa de "cem e entregando, sossegadamente, um décimo" ilustra a decepção com a profundidade da abordagem do vício.
O Legado de “Boca de Fumo”: Entre o Entretenimento e a Reflexão
Ao cabo de 102 minutos, "Boca de Fumo" se esforça para entregar uma mensagem. Ray Seale remexe seus "baús de ossos" e confronta a avassaladora certeza de que é responsável pela nova vida de Cody, o mote principal do filme.
Apesar das falhas apontadas pela crítica, o filme mantém sua popularidade no Prime Video, provando que histórias de drama familiar com pano de fundo de ação e o tema das drogas continuam a atrair espectadores. O "novo vício" pode ser a curiosidade gerada.
A obra, mesmo com suas imperfeições, instiga a reflexão sobre a responsabilidade parental e as complexidades de um mundo onde o vício é uma ameaça constante, deixando a mensagem de que "é preciso ser muito tolo para falar de trabalho em casa quando se é um homem como Ray Seale", nas palavras de Galdino.